COMO IR DE SINGAPURA PARA KUALA LUMPUR DE ÔNIBUS?

Entrar pelo Sudeste Asiático por Singapura é a escolha de muitos viajantes. A pequena cidade-estado está em uma das pontinhas sul e de lá para Malásia Peninsular tem muitas maneiras de chegar. As duas capitais são separadas por apenas 350 km e dá pra ir de avião, trem e ônibus. Tem pra todo gosto e pra todo bolso!


Famosa escultura e fonte d'água Merlion, e o imponente complexo hoteleiro Marina Bay, em Singapura - Foto: Leve de Viagem

COMO COMPRAR PASSAGEM DE ÔNIBUS ONLINE


Qualquer que seja o seu modo de transporte preferido, na Ásia procure as passagens pelo 12GO.Asia. É o aplicativo da vez por esse pedaço do mundo e compara meios de transportes diferentes. Nós encontramos muitas companhias de ônibus que atravessam a fronteira de Singapura para Malásia. Escolhemos a Sri Maju porque era a opção mais barata. Compramos as passagens de Singapura a Kuala Lumpur, capital da Malásia, por SD 20,00 (dólares singapurianos) por pessoa. Atravessamos a fronteira por Tuas (lado singapuriano) e Kampung Ladang (lado malaio).


Ao buscar uma passagem no 12GO.Asia para Kuala Lumpur apareceram muitas opções da mesma companhia, partindo de Singapura nos mesmos horários. Porém, para destinos diferentes. O que acontece é que Kuala Lumpur é uma cidade imensa, com várias estações rodoviárias diferentes. Então, antes de comprar sua passagem escolha primeiro a hospedagem em Kuala Lumpur para desembarcar em uma estação rodoviária mais próxima!


Nós optamos por chegar em TBS Kuala Lumpur pelo seguinte motivo: essa estação de ônibus conecta diretamente a uma linha de metrô que passava próximo ao hostel em que estávamos hospedados (sem necessidade de baldeação).


Ainda não sabe onde se hospedar em Kuala Lumpur? Dá uma olhada no Hostelworld e procure por hostels em Chinatown! A localização é ótima, os preços são amigos dos mochileiros e você já sabe pra qual estação pegar o ônibus!


Ah! Apenas pra reforçar: fazendo a reserva pelo Hostelworld por aqui ou comprando as passagens pelo 12go.asia você não paga nada a mais e ainda nos ajuda a continuar viajando! :)



A VIAGEM


Nós partimos de Singapura rumo a Kuala Lumpur no dia 1º de janeiro de 2020. Por ser o primeiro dia do ano imaginávamos que o ônibus fosse atrasar para partir. Ou até mesmo que pegaríamos algum engarrafamento na fronteira. Mas nada disso aconteceu!


Assim que finalizei a compra online pelo site recebi por e-mail as informações das passagens. O local de partida do ônibus era Golden Mile Complex. É uma espécie de centro comercial onde estão localizadas várias companhias de ônibus e de onde eles partem. Mas não é bem uma rodoviária, é uma coisa meio híbrida - bem a cara de Singapura.


Chegamos com uns 20 minutos de antecedência. Fomos até a agência da Sri Maju e apresentei o número da reserva pelo celular mesmo. O atendente emitiu nossas passagens em papel e indicou que cada um de nós pegássemos uma das garrafinhas de água que estavam dispostas na mesa para os passageiros. E pediu que fôssemos até a esquina do prédio, local onde o ônibus estaria estacionado 5 minutos antes da partida.


Chegamos, confirmamos o número do ônibus (muito importante), colocamos as mochilas no bagageiro e subimos para nossas poltronas. O ônibus era exatamente como estava na foto que vimos no site da companhia. Parecia saído de um filme de Bollywood, com cortininhas de babado e multicolorido. Por dentro era bem confortável, as poltronas reclinavam bastante e o espaço para as pernas era bem bom - padrão ônibus executivo do Brasil. Com uma grande diferença: em Singapura e na Malásia a direção é inglesa. O motorista fica do lado direito do ônibus e a entrada é pela esquerda. Dá um nó beleza na cabeça, viu?


Nosso ônibus estilo indiano da empresa Sri Maju - Foto: Leve de Viagem

A viagem começou pontualmente às 13h, conforme as passagens que compramos, e seguiu silenciosamente até a primeira parada: a fronteira de saída de Singapura.



FRONTEIRA DE TEUS - SAÍDA DE SINGAPURA


Aproximadamente 1h depois de partirmos, acordamos do cochilo com o ônibus parando já dentro da zona fronteiriça. Todos desceram do ônibus apenas com as bagagens de mão e se dividiram nas filas da alfândega em: singapurianos e estrangeiros. Os estrangeiros devem estar com: o passaporte e o cartão de entrada (aquele que é preenchido quando se entra em Singapura) em mãos.


O processo é muito rápido e é todo feito por você mesmo. A primeira etapa é escanear o lado da foto do passaporte. Se tudo estiver ok uma portinha de vidro se abre e você avança para a próxima etapa, que é o scan dos dedos. Também estando tudo certo, a próxima portinha de vidro abre e pronto! Processo de saída de Singapura finalizado.


Apesar de ser tudo self-service muitos agentes ficam "passeando" entre as filas, orientando e observando o comportamento das pessoas, como é comum em todos os postos de imigração. Mas peraí! E o cartãozinho que a gente preenche quando entra em Singapura e que recebemos toda recomendação pra guardar tão bem guardado quanto o próprio passaporte? Pois é! Ninguém solicitou ele pra gente! Ainda bem!!! Porque eu perdi o meu papel e só percebi que tinha perdido já na fila pra alfândega! Já pensou? Ufa...


Todo mundo entra por uma porta e sai por outra para esse processo todo. O ônibus que deixou a gente em uma porta avançou até a próxima e estava lá esperando as pessoas terminaram seus processos e voltarem para o ônibus. Não deve ter demorado nem 15 minutos o processo de saída de todas as pessoas do ônibus. Todos dentro? Partiu atravessar a ponte que liga a ilha de Singapura até a Malásia peninsular, e fazer o processo de entrada na Malásia.


De volta para o ônibus depois de atravessar a imigração - Foto: Leve de Viagem


FRONTEIRA DE KAMPUNG LADANG - ENTRADA NA MALÁSIA


O trecho entra a fronteira de Singapura e a fronteira da Malásia é de uns 10km. Então, 15 minutos depois de voltar para o ônibus, ele entra na estrutura fronteiriça da Malásia e novamente para em frente às portas da alfândega.


Dessa vez, é preciso descer com tudo que você tem. Pegamos os mochilões no bagageiro e as mochilinhas de mão e nos dividimos em filas para imigração. É uma série de baias de vidro com filas individuais. Nesse dia todos os funcionários da imigração eram mulheres.


Para este processo é importante ter, além do passaporte, o cartão de vacinas em mãos. É o Certificado Internacional de Vacinação ou Profilaxia, emitido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Em outros países nenhum agente se preocupou em checá-lo. Mas nos pontos de fronteira da Ásia é a primeira coisa que os agentes perguntam. Afinal, somos do Brasil, região de clima tropica. Temos várias doenças que são comuns, e controladas, por aqui.


Eu e o Marcello fomos atendidos por mulheres diferentes, simultaneamente. A reação das duas ao ver nosso passaporte brasileiro (sul-americano) foi a mesma: cadê o cartão de vacina contra febre amarela?


Nosso cartão de vacina já anda preso nos nossos passaportes e mostramos para elas que estavam no fim. Elas compararam os dois e aí começou a ficar complicado. O do Marcello é mais antigo que o meu, de quando ele foi pra Índia, em 2015, e as vacinas de febre amarela duravam apenas 10 anos. Portanto, a data de validade da vacina aparece como de 21/02/2015 à 08/02/2025. Já o meu cartão é mais recente e foi emitido depois de descobrirem que a efetividade da vacina contra a febre amarela é para vida toda! Então, o meu cartão está com validade de 10/01/2008 à LIFE. Ou seja, pra sempre!


Cartão de vacina internacional antigo x Cartão de vacina internacional atualizado - Foto: Leve de Viagem

O Marcello, depois de responder a algumas perguntas sobre quanto tempo ficaria na Malásia e quais eram os destinos, foi liberado rapidamente. A agente que estava a me atender não queria aceitar o meu cartão! Queria que eu tomasse outra vacina, tem lógica? Eu expliquei que a validade era eterna e argumentei que havia entrado em Singapura e na Tailândia com o cartão sem problemas, como ela poderia ser verificado nos carimbos no passaporte. Não adiantou, ela queria me levar pra salinha.


Por fim, eu disse que em outro momento da vida já haviam me direcionado para vacinar novamente, e que o médico se recusou a me vacinar depois de ler a validade do antídoto, que é por toda a vida. LIFE!!! E Que então ela levasse o meu cartão para o médico analisar e que eu esperaria ali na fila. (Mentirinha! Nunca me pediram pra vacinar novamente, PORQUE A VACINA VALE PRA VIDA TODA).


Ela aceitou. Saiu da baia com o meu cartão e entrou pro fundo da sala. Uns minutinhos depois ela voltou, disse que tudo bem, mas que quando eu voltasse pro Brasil, eu deveria atualizar o meu cartão para ficar como o do Marcello. Fez mais algumas perguntas e, finalmente, me liberou!

Depois dessa novela, passei para próxima sala, a do raio-x, em que o Marcello me esperava sozinho com os agentes. Já pensou se ela não me deixa entrar na Malásia e ele, já lá do outro lado?


Credo! Nada disso aconteceu. Passamos todas as mochilas (mochilões e mochilinhas) nas esteiras, pegamos tudo de volta e fomos pro ônibus. Claro que só faltava nós dois entrarmos, né? Todo mundo tinha passado rapidinho e quando entramos, foram muitos rabos de olho: “que que esses meninos aprontaram?”. Todos dentro do ônibus novamente. Sentamos e relaxamos para aproveitar as outras 5 horas de viagem que ainda nos separavam de Kuala Lumpur.



PARADA PARA ALMOÇO


Novamente acordamos do cochilo com o ônibus parando, mas dessa vez foi em um um postão na beira da estrada. Essas estruturas preparadas pra receber ônibus e turistas, com posto de gasolina, lanchonetes e lojinhas de vende-tudo.


Almoço tão gostoso que não sobrou comida pra foto - Foto: Leve de Viagem

Demos uma corrida de olhos e uma passeada pra escolher a comida. Quando vimos uma foto de frango no molho, ovo frito e arroz branco a escolha foi fácil! Fomos diretamente pra lá e pegamos nossa comidinha. Custou RM 7,00 (Ringgit Malaio) cada prato, mas nós aproveitamos pra acabar com os dólares singapurianos que ficaram pra trás e pagamos com eles. Pra completar esse almoço com chave de ouro, demos de cara com uma banquinha vendendo suco natural: laranja, maçã, manga, abacaxi, goiaba, pitaya e muitas outras frutas - ou uma mistura de duas delas. Pensa só? Eu pedi logo um suco de abacaxi com manga, por RM 6,00 e fui muito feliz!


Também reparamos numa coisa muita interessante: uma mesa inteira vendendo diferentes tipos de chicletes. Isso mesmo! Dezenas, de diferentes sabores, formatos e cores. Foi o sinal definitivo de que saímos mesmo de Singapura! É que lá cidade do "não pode" também não se pode importar chiclete ou mastigar chiclete na rua.


Mesa de chicletes na Malásia - Foto: Leve de Viagem

Bom, depois de uns 30 minutos de pausa, todos de volta para nosso ônibus e agora, sem mais paradas, partimos pra Kuala Lumpur. Nós dois, que demoramos 5 minutos pra dormir no ônibus balançando, cochilamos confortavelmente o restante da viagem e, às 18h, antes do previsto, chegamos em TBS, a estação central de ônibus em Kuala Lumpur.


A estação é moderna e bastante preparada para receber estrangeiros - especialmente por ter letreiros em inglês. Rapidinho encontramos a passarela que interliga a estação de ônibus até a estação de metrô. Compramos duas fichas por RM 2,60 cada e pegamos o metrô ultra-moderno até nosso hostel em Chinatown, para um merecido descanso em terras malaias.


Metrô em Kuala Lumpur - Foto: Leve de Viagem

Taí nossa descrição de como ir de Singapura para Malásia de ônibus. Gostou? Deixa um comentário aqui embaixo contanto como foi a sua experiência ou se você teria feito algo diferente de nós 2!


Um beijo

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@levedeviagem